O Presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu "resgatar" os manifestantes iranianos em meio a protestos crescentes em toda a República Islâmica, provocando uma forte repreensão de Teerã, alertando Washington para ficar fora de seus assuntos internos. A troca de palavras ocorreu na sexta-feira, enquanto os protestos, desencadeados por queixas econômicas e alimentados por sentimentos antigovernamentais, entraram em seu sexto dia, marcando o maior distúrbio visto no Irã desde 2022.
Os protestos inicialmente eclodiram em resposta ao declínio contínuo da moeda rial do Irã e às dificuldades econômicas mais amplas, mas desde então evoluíram para incluir apelos explícitos por mudança de regime. Pelo menos sete mortes foram relatadas em conexão com as manifestações, de acordo com fontes dentro do Irã, embora a verificação independente permaneça difícil devido às restrições ao acesso da mídia internacional.
Trump, falando de Mar-a-Lago, na Flórida, declarou o apoio inabalável de seu governo ao povo iraniano e condenou a resposta do governo aos protestos. "O mundo está assistindo", declarou, acrescentando: "Não ficaremos parados enquanto o regime iraniano reprime seus próprios cidadãos. Nós os resgataremos."
Em resposta, Ali Larijani, Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, emitiu um severo alerta aos EUA, afirmando que qualquer forma de intervenção seria recebida com uma resposta decisiva. "O Irã é capaz de gerenciar seus próprios assuntos internos", afirmou Larijani em um discurso televisionado. "Aconselhamos os Estados Unidos a se absterem de quaisquer ações que possam desestabilizar ainda mais a região."
A atual agitação segue um período de tensões elevadas entre os EUA e o Irã, particularmente depois que os militares dos EUA bombardearam instalações nucleares iranianas em junho. Essa ação tensionou ainda mais as relações já fraturadas pelo colapso do acordo nuclear de 2015 e pela reimposição das sanções dos EUA. O acordo nuclear, formalmente conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), havia oferecido alívio de sanções ao Irã em troca de restrições ao seu programa nuclear. A retirada dos EUA do JCPOA sob o governo Trump em 2018 e a subsequente reinstalação de sanções impactaram significativamente a economia do Irã.
Os protestos também ocorrem em um contexto de crescente descontentamento dentro do Irã com a desigualdade econômica, a corrupção e as limitadas liberdades sociais. A morte de Mahsa Amini sob custódia policial em 2022, após ser presa por supostamente violar o rígido código de vestimenta do país, provocou indignação generalizada e alimentou protestos anteriores.
Analistas sugerem que a situação atual apresenta um desafio complexo para a comunidade internacional. Embora muitos países expressem preocupação com a resposta do governo iraniano aos protestos, também há uma apreensão generalizada sobre uma potencial interferência externa que possa desestabilizar ainda mais a região. A União Europeia apelou à moderação de todos os lados e instou o governo iraniano a respeitar os direitos de seus cidadãos à reunião pacífica e à liberdade de expressão.
A situação permanece fluida, com protestos continuando em várias cidades do Irã. O governo restringiu o acesso a plataformas de mídia social na tentativa de controlar o fluxo de informações. Os próximos dias provavelmente serão críticos para determinar a trajetória dos protestos e as implicações mais amplas para o Irã e a região.
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