Em Ergun, na China, existe uma cidade projetada com características arquitetônicas russas e placas em cirílico para atrair turistas, mas praticamente sem residentes russos. A cidade, juntamente com o município vizinho de Enhe, foi estabelecida pelo governo chinês ostensivamente para preservar as tradições da pequena minoria russa da China.
Esses assentamentos, localizados em uma área remota do norte da China, perto da fronteira russa, apresentam cabanas de toras ao estilo da Sibéria, bétulas e até vodka, evocando uma sensação da cultura russa. A iniciativa surge no momento em que a Rússia, sob o presidente Vladimir V. Putin, está envolvida em um conflito em sua fronteira ocidental, afirmando a necessidade de proteger a língua e a cultura russas na vizinha Ucrânia.
No entanto, enquanto a Rússia se concentra em preservar sua influência cultural na Europa, sua presença diminuiu significativamente nesta área da China, a mais de 4.800 quilômetros a leste. A área, que já foi um posto avançado estrangeiro da língua e cultura russas, agora está amplamente desprovida de russos de verdade.
O investimento do governo chinês nessas cidades reflete uma estratégia mais ampla de desenvolvimento do turismo e promoção de uma narrativa específica de multiculturalismo dentro de suas fronteiras. Embora a arquitetura e a sinalização sugiram uma forte influência russa, a realidade no terreno é que as cidades atendem principalmente a turistas chineses em busca de um gostinho da cultura "russa".
A situação destaca a complexa interação entre preservação cultural, identidade nacional e estratégia geopolítica. Enquanto a Rússia está ativamente envolvida em conflitos para manter sua esfera de influência cultural na Europa Oriental, sua pegada cultural em partes da Ásia está desaparecendo, substituída por uma versão selecionada da cultura russa, projetada para o turismo e o consumo doméstico.
Discussion
Join the conversation
Be the first to comment