O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicou no domingo que os Estados Unidos não se envolveriam na governança diária da Venezuela além de fazer cumprir uma quarentena de petróleo existente, uma declaração que se seguiu ao anúncio do Presidente Donald Trump, um dia antes, sugerindo um papel mais direto dos EUA na gestão do país após a remoção de Nicolás Maduro. As observações de Rubio, feitas durante aparições na televisão, pareceram abordar as preocupações de que a ação dos EUA para facilitar a mudança de regime pudesse levar a uma intervenção estrangeira prolongada ou a um esforço fracassado de construção de nação, reminiscente de experiências passadas em regiões como o Iraque e o Afeganistão.
As declarações de Rubio contrastaram com as afirmações mais amplas de Trump de que os EUA supervisionariam, pelo menos temporariamente, a nação rica em petróleo, implicando uma estrutura de governo sob o controle de Washington. "E esse é o tipo de controle que o presidente está apontando quando diz isso", disse Rubio no "Face the Nation" da CBS, esclarecendo a extensão do envolvimento dos EUA. "Continuamos a aplicar uma quarentena de petróleo que já estava em vigor em petroleiros sancionados antes de Maduro ser removido do poder no início de sábado e usamos essa influência como um meio de pressionar por mudanças políticas na Venezuela."
A quarentena de petróleo existente, um componente-chave das sanções dos EUA contra o regime de Maduro, visa restringir o acesso da Venezuela aos mercados internacionais de petróleo, uma fonte crucial de receita para o país. Essas sanções, inicialmente impostas em 2019, foram projetadas para pressionar Maduro a renunciar e permitir eleições livres e justas. Os EUA há muito acusam Maduro de autoritarismo, abusos de direitos humanos e má gestão econômica, contribuindo para uma grave crise humanitária na Venezuela.
A situação na Venezuela atraiu a atenção internacional e gerou debate sobre a legitimidade da intervenção externa em nações soberanas. Embora os EUA e vários outros países tenham reconhecido o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino em 2019, Maduro manteve o poder com o apoio dos militares e de aliados como Rússia, China e Cuba. Essas nações têm consistentemente condenado as sanções e a interferência dos EUA nos assuntos internos da Venezuela, vendo-as como violações do direito internacional e da soberania.
A perspectiva de uma governança direta dos EUA na Venezuela levantou preocupações entre alguns observadores internacionais, que apontaram para o potencial de exacerbar as divisões políticas existentes e minar a estabilidade de longo prazo do país. A história do envolvimento dos EUA na América Latina, incluindo intervenções no Chile, Panamá e Granada, alimentou o ceticismo sobre os motivos de Washington e as potenciais consequências de suas ações.
Na segunda-feira, os detalhes da abordagem dos EUA à Venezuela permaneciam um tanto obscuros, com a ênfase de Rubio na quarentena de petróleo sugerindo uma estratégia mais limitada e direcionada do que a inicialmente indicada pelo Presidente Trump. A comunidade internacional continua a monitorar a situação de perto, com muitos apelando a uma resolução pacífica e negociada da crise política que respeite a soberania da Venezuela e permita que o seu povo determine o seu próprio futuro.
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