Uma nova lei considerada uma das mais rigorosas dos Estados Unidos em relação à privacidade de dados entrou em vigor na Califórnia no início do ano, com o objetivo de capacitar os residentes a controlar suas informações pessoais mantidas por corretores de dados. A Agência de Proteção à Privacidade da Califórnia estima que mais de 500 empresas coletam e vendem ativamente dados de indivíduos para várias entidades, incluindo profissionais de marketing e investigadores particulares.
A Consumer Watchdog informou em 2024 que esses corretores coletam informações de diversas fontes, como montadoras de automóveis, empresas de tecnologia e redes de fast-food, compilando dados sobre as finanças, compras, situações familiares, hábitos alimentares, rotinas de exercícios, viagens e preferências de entretenimento dos indivíduos. A nova lei se baseia no Delete Act, promulgado dois anos antes, que obrigava os corretores de dados a fornecer aos residentes acesso aos seus dados e a capacidade de solicitar sua exclusão.
A lei da Califórnia reflete uma tendência global crescente em direção a regulamentações de proteção de dados mais rigorosas. O Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia, implementado em 2018, estabeleceu um precedente para leis abrangentes de privacidade de dados, concedendo aos indivíduos controle significativo sobre seus dados pessoais e impondo multas pesadas por não conformidade. Leis semelhantes foram promulgadas desde então em países ao redor do mundo, incluindo o Brasil (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais - LGPD) e a Índia (Personal Data Protection Bill).
Embora os defensores da lei da Califórnia argumentem que ela é um passo crucial na proteção da privacidade do consumidor, alguns analistas do setor expressam preocupações sobre seu impacto potencial nas empresas que dependem de dados para marketing e publicidade. Eles argumentam que regulamentações excessivamente rigorosas podem sufocar a inovação e limitar a capacidade das empresas de personalizar serviços para os consumidores. A eficácia da lei em conter as atividades dos corretores de dados e suas consequências econômicas mais amplas ainda estão por ser vistas.
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