A coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen lançou ataques aéreos contra forças secessionistas na parte sul do país na terça-feira, depois que o líder dos separatistas, Aidarous al-Zubaidi, não compareceu às negociações de paz agendadas em Riade. O governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente, acusou al-Zubaidi de alta traição, aumentando ainda mais as tensões na nação já fraturada.
Os ataques aéreos tiveram como alvo posições ocupadas pelo Conselho de Transição do Sul (STC), um grupo que busca a independência do sul do Iêmen. O STC tem sido um ator importante na guerra civil iemenita em curso, muitas vezes entrando em confronto com forças leais ao governo reconhecido internacionalmente, apesar de ambos estarem nominalmente alinhados contra os rebeldes Houthi, que controlam grande parte do norte do Iêmen.
O não comparecimento de al-Zubaidi às negociações de Riade, intermediadas pela Arábia Saudita, é visto como um revés significativo para os esforços de redução da escalada do conflito entre o governo e o STC. As negociações tinham como objetivo abordar queixas e acordos de partilha de poder após anos de luta. A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que tem apoiado o governo iemenita contra os Houthis desde 2015, agora se vê na posição de tomar medidas militares contra um grupo que antes era considerado um aliado na luta mais ampla contra os Houthis.
O conflito no Iêmen tem suas raízes nas revoltas da Primavera Árabe de 2011, que levaram à destituição do presidente de longa data Ali Abdullah Saleh. Um vácuo de poder se seguiu, e o movimento Houthi, um grupo muçulmano Zaidi Shia, tomou o controle da capital, Sanaa, em 2014. Isso levou à intervenção liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte, transformando o conflito interno em uma guerra regional por procuração.
O STC emergiu como uma força significativa no sul do Iêmen em 2017, defendendo a restauração de um Iêmen do Sul independente, que existiu como um estado separado até a unificação com o norte em 1990. As aspirações de independência do STC muitas vezes entraram em conflito com a autoridade do governo central, levando a confrontos armados.
As Nações Unidas têm alertado repetidamente sobre as devastadoras consequências humanitárias do conflito no Iêmen, descrevendo-o como a pior crise humanitária do mundo. Milhões de iemenitas enfrentam fome e doenças, e os combates em curso deslocaram milhões de pessoas. As organizações internacionais de ajuda estão lutando para fornecer assistência devido à violência em curso e às restrições de acesso.
A mais recente escalada entre a coalizão liderada pela Arábia Saudita e o STC complica ainda mais o já complexo cenário político no Iêmen e levanta preocupações sobre as perspectivas de uma resolução pacífica para o conflito. Observadores internacionais estão pedindo que todas as partes retornem à mesa de negociações e priorizem as necessidades do povo iemenita. A situação permanece fluida, e novos desenvolvimentos são esperados nos próximos dias, enquanto atores regionais e internacionais tentam mediar um cessar-fogo e evitar mais derramamento de sangue.
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