A Arábia Saudita interveio militarmente no sul do Iêmen para deter o que descreveu como uma ameaça à sua segurança nacional, levando o Conselho de Transição do Sul (CTS) a anunciar sua dissolução em Riade no início desta semana. A medida precedeu os planos da Arábia Saudita de sediar uma conferência das principais facções políticas do Iêmen, com o objetivo de moldar o futuro da região sul. Por quase uma década, o CTS tem sido uma força dominante no sul do Iêmen, um período marcado por divisão e conflitos civis.
A rápida perda de território anteriormente detido pelos separatistas sublinhou o impacto da intervenção saudita. Khaled Batarfi, analista político, e Farea Al Muslimi, pesquisador do programa para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, forneceram análises sobre os desenvolvimentos. A pesquisa de Al Muslimi indicou que a dissolução dos separatistas do Iêmen era esperada.
O Iêmen está envolvido em conflitos desde 2014, quando os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irã, tomaram o controle da capital, Sanaa, levando uma coalizão liderada pela Arábia Saudita a intervir em 2015 em apoio ao governo internacionalmente reconhecido. O conflito teve um impacto devastador no Iêmen, criando uma das piores crises humanitárias do mundo, com milhões enfrentando fome e deslocamento. A região sul do Iêmen tem sido um ponto focal do sentimento separatista, com queixas históricas e uma identidade distinta alimentando pedidos de independência. O CTS emergiu como uma voz proeminente para o separatismo do sul, buscando restaurar o estado independente do Iêmen do Sul, que existiu de 1967 a 1990.
O envolvimento da Arábia Saudita no Iêmen é impulsionado por uma complexa combinação de fatores, incluindo preocupações com a segurança regional, a disseminação da influência iraniana e a estabilidade de sua fronteira sul. O reino vê os rebeldes Houthi como um representante do Irã e busca conter sua influência no Iêmen. A conferência planejada das facções políticas iemenitas reflete os esforços da Arábia Saudita para mediar um acordo político para o conflito e garantir um Iêmen estável e unificado que não represente uma ameaça aos seus interesses. O resultado da conferência permanece incerto, pois profundas divisões persistem entre as várias facções iemenitas. O sucesso dos esforços da Arábia Saudita dependerá de sua capacidade de superar essas divisões e forjar um consenso sobre o futuro do sul do Iêmen.
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