Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, afirmou que o X, anteriormente conhecido como Twitter, poderá "perder o direito à autorregulação" sob um futuro governo Trabalhista. A declaração, feita durante um discurso sobre política de tecnologia, levanta questões sobre o futuro modelo operacional da plataforma no Reino Unido e sua conformidade com as regulamentações de segurança online em evolução.
Os comentários de Starmer centraram-se em preocupações sobre o tratamento de conteúdo prejudicial pelo X, particularmente discurso de ódio e desinformação. Ele argumentou que a autorregulação provou ser insuficiente para abordar essas questões de forma eficaz. "A era da autorregulação para plataformas de mídia social deve terminar", disse Starmer. "Se não protegerem os usuários, um governo Trabalhista não hesitará em impor regulamentações mais rigorosas e, se necessário, remover seu direito à autorregulação."
A potencial perda da autorregulação provavelmente implicaria um aumento da supervisão por órgãos reguladores, como a Ofcom, a reguladora de comunicações do Reino Unido. Isso poderia envolver requisitos mais rigorosos de moderação de conteúdo, relatórios obrigatórios de conteúdo prejudicial e a imposição de multas por não conformidade. Analistas do setor sugerem que tal mudança poderia impactar significativamente os custos operacionais do X e sua abordagem à moderação de conteúdo.
A atual estrutura de autorregulação do X baseia-se numa combinação de sistemas automatizados e moderadores humanos para identificar e remover conteúdo que viole suas políticas. A plataforma utiliza algoritmos de aprendizado de máquina para detectar conteúdo potencialmente prejudicial, que é então revisado por moderadores humanos. As políticas do X proíbem discurso de ódio, incitação à violência e a disseminação de desinformação. No entanto, os críticos argumentam que a aplicação dessas políticas pela plataforma tem sido inconsistente e inadequada.
A Lei de Segurança Online, aprovada em 2023, concede à Ofcom maiores poderes para regular plataformas online, incluindo o X. A Lei exige que as plataformas protejam os usuários de conteúdo ilegal e prejudicial, com multas potenciais de até 10% do faturamento global por não conformidade. Embora a Lei permita algum grau de autorregulação, ela também estabelece uma estrutura para responsabilizar as plataformas por suas práticas de moderação de conteúdo.
Representantes do X defenderam os esforços da plataforma para combater conteúdo prejudicial, citando investimentos em tecnologia e pessoal. Em um comunicado, o X enfatizou seu compromisso com a segurança do usuário e sua disposição de trabalhar com os reguladores para abordar as preocupações. "Estamos constantemente evoluindo nossas políticas e mecanismos de aplicação para garantir uma experiência segura e positiva para nossos usuários", dizia o comunicado. "Estamos abertos ao diálogo construtivo com os formuladores de políticas para encontrar soluções eficazes para os desafios da segurança online."
A postura do Partido Trabalhista sobre a autorregulação do X reflete uma tendência mais ampla em direção a um maior escrutínio das plataformas de mídia social e seu impacto na sociedade. Governos em todo o mundo estão lidando com os desafios de regular o conteúdo online, preservando a liberdade de expressão. O debate sobre o futuro do X no Reino Unido destaca a complexa interação entre tecnologia, regulamentação e segurança pública.
As próximas etapas provavelmente envolverão novas discussões entre representantes do X, funcionários do governo e órgãos reguladores. O resultado dessas discussões determinará até que ponto o X estará sujeito a regulamentações mais rigorosas no Reino Unido. A situação permanece fluida, com potenciais implicações para outras plataformas de mídia social que operam no país.
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