O chefe do judiciário do Irã sinalizou na quarta-feira que julgamentos rápidos e execuções seriam realizados para aqueles detidos em conexão com os recentes protestos em todo o país, apesar dos alertas do presidente dos EUA, Donald Trump. Os comentários de Gholamhossein Mohseni-Ejei seguiram-se a avisos de ativistas de que enforcamentos de detidos poderiam ocorrer iminentemente.
Os protestos, desencadeados pelo descontentamento generalizado com as condições econômicas e as restrições políticas, foram recebidos com uma repressão severa pelas forças de segurança iranianas. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA, informou que pelo menos 2.586 pessoas foram mortas na resposta do governo. Esse número de mortos ultrapassa o de qualquer outro período de protesto ou agitação no Irã nas últimas décadas, evocando memórias da turbulência em torno da Revolução Islâmica de 1979.
Trump alertou repetidamente que os EUA podem considerar uma ação militar em resposta à morte de manifestantes pacíficos. Esses avisos vêm meses depois que os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas durante uma guerra de 12 dias iniciada por Israel contra o Irã.
A comunidade internacional tem expressado crescente preocupação com a forma como o Irã está lidando com os protestos. Organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, condenaram o uso de força excessiva contra manifestantes e pediram investigações independentes sobre as mortes. A União Europeia também emitiu declarações instando o Irã a respeitar os direitos de seus cidadãos à reunião pacífica e à liberdade de expressão.
O judiciário do Irã tem sido historicamente criticado por sua falta de transparência e devido processo legal, particularmente em casos envolvendo dissidência política. A perspectiva de julgamentos e execuções aceleradas levanta preocupações sobre a justiça dos processos legais e o potencial de condenações injustas. O governo iraniano afirma que está agindo dentro de seus direitos para manter a ordem e a segurança, e que os presos estão sendo tratados de forma justa sob a lei. A situação permanece tensa, com potencial para maior escalada tanto no plano interno quanto no internacional.
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