Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, afirmou que o X, anteriormente conhecido como Twitter, pode "perder o direito de se autorregular" se não abordar adequadamente as preocupações relativas à segurança online e à disseminação de desinformação. As declarações de Starmer, feitas durante um discurso numa conferência de tecnologia em Londres na terça-feira, surgem em meio ao crescente escrutínio das políticas de moderação de conteúdo da plataforma de mídia social desde a sua aquisição por Elon Musk.
Starmer argumentou que a autorregulação é um privilégio, não um direito, e que empresas como o X devem demonstrar um compromisso em proteger os utilizadores de conteúdo prejudicial. "A era da autorregulação para as redes sociais deve vir com responsabilidade real", disse Starmer. "Se não cumprirem essa responsabilidade, a opção de regulamentação estatutária deve estar sobre a mesa." Ele citou especificamente preocupações sobre a proliferação de discurso de ódio, desinformação e conteúdo prejudicial direcionado a crianças como áreas-chave que precisam de melhorias.
A potencial perda da autorregulação teria implicações significativas para o X. Atualmente, a plataforma opera sob uma estrutura de autorregulação, aderindo a códigos de conduta voluntários e às melhores práticas do setor. No entanto, uma maior supervisão governamental pode levar a regras de moderação de conteúdo mais rigorosas, potenciais multas por não conformidade e maior responsabilidade legal pelo conteúdo publicado pelos seus utilizadores. Isso pode exigir um investimento significativo em tecnologia e pessoal de moderação de conteúdo, impactando potencialmente a lucratividade da empresa.
O sistema atual de moderação de conteúdo do X depende de uma combinação de ferramentas automatizadas e revisores humanos para identificar e remover conteúdo que viole as suas políticas. As políticas da plataforma proíbem discurso de ódio, incitação à violência e a disseminação de desinformação, entre outras coisas. No entanto, os críticos argumentam que a aplicação dessas políticas pelo X tem sido inconsistente e inadequada, particularmente desde a aquisição de Musk, que viu reduções significativas de pessoal nas equipas de confiança e segurança.
Musk declarou publicamente o seu compromisso com a liberdade de expressão, mesmo que isso signifique permitir algum conteúdo que outros considerem ofensivo. Ele também restabeleceu contas que foram banidas anteriormente por violarem as políticas da plataforma, levantando preocupações sobre o potencial para a disseminação de conteúdo prejudicial.
O debate sobre as políticas de moderação de conteúdo do X surge num momento em que os governos de todo o mundo estão a lidar com a forma de regulamentar as plataformas de mídia social. A Lei de Serviços Digitais (DSA) da União Europeia, por exemplo, impõe novas regras rigorosas às plataformas online, incluindo requisitos para remover conteúdo ilegal rapidamente e para serem mais transparentes sobre as suas práticas de moderação de conteúdo. O Reino Unido também está a considerar nova legislação para regulamentar os danos online.
O X ainda não emitiu uma declaração oficial em resposta aos comentários de Starmer. No entanto, a empresa afirmou anteriormente que está comprometida em fornecer uma plataforma segura para os seus utilizadores. É provável que a empresa enfrente uma pressão crescente de reguladores e legisladores para abordar as preocupações sobre segurança online e desinformação nos próximos meses. O futuro do estatuto regulamentar do X provavelmente dependerá da sua capacidade de demonstrar um compromisso genuíno em proteger os seus utilizadores de conteúdo prejudicial.
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