Kampala, Uganda, está a sofrer um encerramento parcial na véspera das eleições presidenciais, com a autoridade nacional de comunicações a suspender o acesso público à internet, a venda e o registo de novos cartões SIM e os serviços de roaming de saída. A medida gerou raiva e frustração, principalmente entre os jovens ugandeses que dependem da internet para trabalho e comunicação.
Marvin Masole, um residente de Kampala de 27 anos, afirmou que usa principalmente o WhatsApp para comunicação e negócios. O encerramento da internet levanta preocupações sobre a transparência e a capacidade dos cidadãos de monitorizar o processo eleitoral.
A eleição coloca o atual Presidente Yoweri Museveni, que está no poder desde 1986, contra um grupo de desafiantes, incluindo Bobi Wine, um popular músico que se tornou político. O Movimento de Resistência Nacional (NRM) de Museveni fez campanha numa plataforma de estabilidade e progresso económico, enquanto os candidatos da oposição se concentraram em questões de corrupção, direitos humanos e desemprego juvenil.
A suspensão dos serviços de internet segue-se a um período de crescente tensão política e relatos de violência durante a campanha. Os líderes da oposição acusaram o governo de usar as forças de segurança para reprimir a dissidência e restringir a sua capacidade de fazer campanha de forma eficaz. O governo negou estas alegações, afirmando que está empenhado em garantir eleições livres e justas.
A eleição está a decorrer em meio a preocupações com a pandemia de COVID-19, com as autoridades a implementar medidas para prevenir a propagação do vírus. No entanto, os críticos argumentam que estas medidas têm sido aplicadas seletivamente, afetando desproporcionalmente os comícios e encontros da oposição.
O resultado da eleição provavelmente terá implicações significativas para o futuro político e económico do Uganda. O país tem registado um rápido crescimento económico nos últimos anos, mas persistem desafios, incluindo altos níveis de pobreza e desigualdade. A eleição também será um teste das instituições democráticas do Uganda e do seu compromisso em defender os direitos humanos e o Estado de direito.
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