Os protestos no Irã, inicialmente desencadeados por queixas econômicas, escalaram para uma agitação generalizada ao longo de um período de 17 dias, marcando a turbulência mais significativa da nação nos últimos anos. O governo iraniano atribuiu a violência à instigação estrangeira, enquanto o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu repetidas ameaças de potencial intervenção militar pelos Estados Unidos.
A agitação começou em 28 de dezembro de 2025, em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, com manifestações focadas no aumento dos preços dos alimentos e no desemprego. Esses protestos se espalharam rapidamente para outras cidades, incluindo Teerã, Isfahan e Shiraz, evoluindo para incluir demandas políticas mais amplas, como apelos por maiores liberdades e o fim da corrupção governamental. De acordo com relatos de organizações de direitos humanos, as forças de segurança responderam aos protestos com força crescente, resultando em inúmeras vítimas e prisões. A Anistia Internacional informou que pelo menos 100 pessoas foram mortas durante os protestos, embora o governo iraniano tenha contestado esse número.
O governo iraniano, liderado pelo líder supremo Ali Khamenei, acusou potências estrangeiras, particularmente os Estados Unidos e Israel, de alimentar a agitação. "Os inimigos do Irã estão usando dinheiro, armas, política e aparato de inteligência para criar problemas para a República Islâmica", afirmou Khamenei em um discurso televisionado em 8 de janeiro de 2026. Essas acusações foram rejeitadas pelo Departamento de Estado dos EUA, que emitiu uma declaração apoiando os direitos do povo iraniano de protestar pacificamente.
Os protestos ocorreram em um contexto de dificuldades econômicas no Irã, exacerbadas por sanções internacionais e má gestão interna. A moeda do país, o rial, havia se depreciado significativamente nos últimos anos, levando ao aumento da inflação e a um declínio no padrão de vida. A situação foi ainda mais complicada pela pandemia de COVID-19 em curso, que sobrecarregou o sistema de saúde e a economia do país.
A comunidade internacional reagiu aos protestos com uma mistura de preocupação e condenação. A União Europeia apelou à moderação de todos os lados e instou o governo iraniano a respeitar os direitos de seus cidadãos à reunião pacífica e à liberdade de expressão. O Secretário-Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, expressou preocupação com os relatos de violência e pediu uma investigação independente sobre os eventos.
Em 14 de janeiro de 2026, os protestos haviam diminuído em grande parte, embora manifestações esporádicas continuassem em algumas áreas. O governo iraniano manteve uma forte presença de segurança em todo o país e implementou medidas para restringir o acesso à internet e às plataformas de mídia social. O impacto a longo prazo dos protestos no cenário político e econômico do Irã permaneceu incerto, mas os analistas sugeriram que eles poderiam levar a uma maior pressão sobre o governo para abordar as queixas subjacentes da população.
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