Há aproximadamente 14.400 anos, um filhote de lobo no que hoje é a Rússia consumiu a carne de um rinoceronte-lanudo, proporcionando aos cientistas um raro vislumbre dos últimos dias da espécie extinta. Uma análise genômica do tecido do rinoceronte, extraído do estômago do filhote, sugere que a população de rinocerontes-lanudos experimentou um rápido colapso que levou à sua extinção. As descobertas, publicadas na Genome Biology and Evolution em 14 de janeiro, apontam para uma potencial ligação entre um clima mais quente e o desaparecimento do rinoceronte.
A análise oferece uma oportunidade única para estudar a composição genética de uma espécie à beira da extinção. "Encontrar um dos últimos membros de uma espécie é muito raro", disse Morten Allentoft, um ecologista molecular da Curtin University em Perth, Austrália. "Você realmente tem acesso e insights diretos sobre o pool genético de uma espécie no momento em que ela está desaparecendo."
O rinoceronte-lanudo ( *Coelodonta antiquitatis* ) vagava pelo norte da Europa e Ásia durante o período Pleistoceno. Os cientistas há muito debatem as razões para sua extinção, com teorias que variam desde a caça humana até as mudanças climáticas. Esta nova pesquisa fornece mais evidências que apoiam a hipótese da mudança climática, sugerindo que um rápido colapso populacional, possivelmente desencadeado pelo aumento das temperaturas, acabou levando ao desaparecimento da espécie.
A equipe de pesquisa empregou técnicas avançadas de sequenciamento de DNA para analisar o tecido preservado do rinoceronte. Ao comparar as informações genéticas com os genomas de rinocerontes-lanudos existentes, eles foram capazes de determinar que o indivíduo consumido pelo filhote de lobo pertencia a uma das últimas populações sobreviventes. Este tipo de análise se baseia em algoritmos que podem identificar padrões e variações nas sequências de DNA, permitindo aos cientistas rastrear relações evolutivas e dinâmicas populacionais. O uso de IA na genômica está acelerando rapidamente o ritmo da descoberta, permitindo que os pesquisadores analisem vastos conjuntos de dados e descubram insights que seriam impossíveis há apenas alguns anos.
"É ainda mais incrível que a equipe [tenha encontrado isso]", disse Nic Rawlence, um paleoecologista da Universidade de Otago em Dunedin, Nova Zelândia.
As implicações desta pesquisa vão além do rinoceronte-lanudo. Compreender os fatores que contribuíram para extinções passadas pode fornecer lições valiosas para a conservação de espécies ameaçadas de extinção hoje. À medida que a Terra continua a experimentar rápidas mudanças climáticas, muitas espécies enfrentam ameaças semelhantes àquelas que podem ter levado o rinoceronte-lanudo à extinção. Ao estudar as assinaturas genéticas de declínios populacionais passados, os cientistas podem identificar populações vulneráveis e desenvolver estratégias de conservação mais eficazes. Pesquisas futuras podem se concentrar na análise de outras amostras de DNA antigo para refinar ainda mais nossa compreensão da extinção do rinoceronte-lanudo e dos impactos mais amplos das mudanças climáticas na biodiversidade.
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