Divisões internas na liderança do Talibã no Afeganistão estão ameaçando a estabilidade do Emirado Islâmico, de acordo com um clipe de áudio vazado obtido pela BBC. O áudio revelou o Líder Supremo Hibatullah Akhundzada expressando preocupações sobre desentendimentos entre "pessoas de dentro do governo", alertando que tais divisões poderiam levar ao colapso do governo do Talibã.
O discurso de Akhundzada, proferido a membros do Talibã em uma madrassa em Kandahar em janeiro de 2025, alimentou rumores existentes de uma luta pelo poder nos mais altos níveis da organização. Embora o porta-voz de Akhundzada tenha declarado que o líder supremo detém "poder absoluto", relatos sugerem que ministros, incluindo Sirajuddin Haqqani e Mohammad Yaqoob, questionaram algumas de suas decisões.
O conflito interno ocorre em um momento em que as mulheres afegãs continuam a enfrentar desafios significativos sob o governo do Talibã. Apesar das promessas iniciais de defender os direitos das mulheres dentro de uma estrutura islâmica, o Talibã impôs severas restrições à educação, emprego e liberdade de movimento das mulheres. Essas restrições não apenas cercearam as oportunidades das mulheres, mas também sufocaram suas vozes e contribuições para a sociedade afegã.
A situação das mulheres no Afeganistão é ainda agravada por uma crise humanitária, com acesso limitado a cuidados de saúde, educação e oportunidades econômicas. Organizações lideradas por mulheres e grupos de ajuda internacional estão trabalhando para fornecer apoio e defender os direitos das mulheres, mas seus esforços são frequentemente dificultados pelo ambiente restritivo.
As divisões internas do Talibã levantam preocupações sobre o futuro do Afeganistão e o impacto potencial nos direitos das mulheres. Uma liderança fraturada pode levar a mais instabilidade e a um enfraquecimento do progresso já frágil alcançado na promoção da igualdade de gênero. Enquanto o Talibã lida com divergências internas, a comunidade internacional deve continuar a monitorar a situação e defender os direitos e o bem-estar de todos os afegãos, particularmente as mulheres, que são desproporcionalmente afetadas pelo conflito e instabilidade em curso.
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