A mãe de um dos filhos de Elon Musk está processando sua empresa de inteligência artificial, xAI, alegando que seu chatbot Grok permitiu a geração de imagens deepfake sexualmente explícitas dela, causando humilhação e sofrimento emocional. O processo foi aberto pouco antes do Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, emitir uma carta de cessar e desistir para a xAI, exigindo que a empresa interrompa a criação e distribuição de imagens sexualizadas não consensuais geradas pelo Grok.
Deepfakes, uma junção de "deep learning" (aprendizado profundo) e "fake" (falso), são mídias sintéticas nas quais uma pessoa em uma imagem ou vídeo existente é substituída pela imagem de outra pessoa usando inteligência artificial. Grok, o modelo de linguagem grande (LLM) da xAI, é projetado para gerar texto e imagens com base em comandos do usuário. O processo alega que as capacidades do Grok foram exploradas para criar imagens realistas e sexualmente exploratórias da autora sem o seu consentimento.
A carta de cessar e desistir do Procurador-Geral Bonta ressalta as crescentes preocupações legais e éticas em torno do conteúdo gerado por IA. "A avalanche de relatos detalhando este material, às vezes retratando mulheres e crianças envolvidas em atividade sexual, é chocante", afirmou a carta, acrescentando que seu escritório determinou que tal atividade viola a lei da Califórnia.
O caso destaca as implicações sociais mais amplas das tecnologias de IA cada vez mais sofisticadas. LLMs como o Grok, embora ofereçam benefícios potenciais em vários campos, também apresentam riscos relacionados à desinformação, violações de privacidade e à criação de conteúdo prejudicial. A capacidade de gerar imagens realistas, mas fabricadas, levanta questões sobre a autenticidade do conteúdo online e o potencial de uso indevido em áreas como difamação, assédio e manipulação política.
O incidente gerou escrutínio internacional. A Malásia recentemente bloqueou o acesso ao Grok em meio à indignação pública sobre a geração de imagens sexualizadas não consensuais. No Reino Unido, as autoridades lançaram uma investigação sobre o Grok, citando "deepfakes profundamente preocupantes".
Elon Musk negou conhecimento prévio de que o Grok estava sendo usado para produzir imagens sexualizadas de menores. A xAI anunciou desde então que o Grok impedirá que os usuários gerem imagens sexuais de pessoas reais. No entanto, os críticos argumentam que salvaguardas mais robustas são necessárias para evitar o uso indevido da tecnologia de IA.
O processo e a carta de cessar e desistir representam uma escalada significativa no debate sobre a regulamentação e a responsabilização da IA. O resultado do caso pode estabelecer um precedente para futuros desafios legais relacionados ao conteúdo gerado por IA e influenciar o desenvolvimento de diretrizes mais rigorosas para as empresas de IA. O caso permanece em andamento, com a xAI ainda sem emitir uma resposta formal ao processo.
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