Cientistas há muito reconhecem o *Bd* como um dos principais impulsionadores do declínio de anfíbios, com centenas de espécies enfrentando a extinção devido à doença que causa, a quitridiomicose. A nova pesquisa fornece evidências genéticas e dados comerciais que indicam que o fungo viajou entre continentes através do mercado internacional de carne de rã, que tem apresentado um crescimento significativo nas últimas décadas.
O Brasil cria comercialmente rãs-touro desde a década de 1930, principalmente para consumo interno e exportação. Essas rãs, embora muitas vezes resistentes ao fungo *Bd*, podem atuar como portadoras, espalhando o patógeno para espécies de anfíbios mais vulneráveis em outras regiões. O estudo destaca o potencial de um comércio de vida selvagem aparentemente inócuo para introduzir inadvertidamente patógenos devastadores em novos ambientes.
As descobertas levantam preocupações sobre a regulamentação e o monitoramento do comércio de vida selvagem, particularmente em regiões com alta biodiversidade. Especialistas enfatizam a necessidade de medidas de biossegurança mais rigorosas para evitar a propagação de doenças por meio de atividades comerciais. A comunidade internacional agora está lidando com a forma de equilibrar os interesses econômicos com a necessidade urgente de proteger ecossistemas vulneráveis.
"Esta pesquisa ressalta o papel crítico da colaboração internacional no enfrentamento de ameaças globais à saúde", disse um porta-voz da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. "Compreender os caminhos de transmissão de doenças é essencial para desenvolver estratégias eficazes para mitigar seu impacto."
Os autores do estudo estão pedindo maior vigilância das populações de anfíbios e regulamentações mais rígidas sobre o comércio internacional de animais vivos e produtos de origem animal. Eles também defendem uma maior conscientização pública sobre os riscos associados ao comércio de vida selvagem e a importância do consumo responsável. Mais pesquisas estão planejadas para investigar a prevalência de *Bd* em diferentes populações de rãs e para avaliar a eficácia de várias medidas de biossegurança. A esperança é que uma melhor compreensão da disseminação do fungo leve a estratégias de conservação mais eficazes para espécies de anfíbios ameaçadas em todo o mundo.
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