Antropólogos anunciaram um novo estudo que fornece fortes evidências de que um fóssil de sete milhões de anos, Sahelanthropus tchadensis, era bípede, potencialmente reescrevendo a linha do tempo das origens humanas. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Nova York e da Universidade do Alabama em Birmingham, sugere que este antigo hominídeo, apesar de suas características semelhantes às de um macaco e cérebro pequeno, possuía a capacidade de andar ereto.
O estudo se concentrou na análise anatômica do fóssil, examinando especificamente o fêmur (osso da coxa) e o cúbito (osso do antebraço). Os pesquisadores identificaram um local de fixação de ligamento no fêmur que é característico de espécies bípedes, indicando que o Sahelanthropus tchadensis provavelmente se movia com confiança sobre duas pernas. "Esta descoberta coloca o bipedalismo perto da raiz da árvore genealógica humana", disse Scott Williams, da NYU, um dos principais pesquisadores do projeto.
Durante décadas, a questão da locomoção do Sahelanthropus tchadensis tem sido objeto de intenso debate entre os paleoantropólogos. O fóssil, descoberto no Chade em 2001, data de um período próximo à divisão hipotética entre as linhagens de chimpanzés e humanos. Se confirmado como bípede, o Sahelanthropus tchadensis representaria o mais antigo ancestral humano conhecido, adiando as origens da caminhada ereta em milhões de anos.
As implicações desta descoberta são significativas para a nossa compreensão da evolução humana. Sugere que o bipedalismo pode ter evoluído mais cedo e mais rapidamente do que se pensava anteriormente, potencialmente impulsionado por pressões ambientais ou outros fatores que favoreceram a postura ereta. Isso desafia os modelos existentes que frequentemente ligam o bipedalismo a mudanças ambientais específicas na África Oriental.
Jason Heaton, da Universidade do Alabama em Birmingham, outro pesquisador principal, observou que mais pesquisas são necessárias para entender completamente a locomoção do Sahelanthropus tchadensis. "Embora a evidência para o bipedalismo seja convincente, precisamos considerar toda a estrutura esquelética e o ambiente em que este hominídeo viveu", afirmou Heaton. Estudos futuros provavelmente se concentrarão na análise de fragmentos de fósseis adicionais e na realização de simulações biomecânicas para reconstruir a marcha do Sahelanthropus tchadensis. As descobertas foram publicadas em uma edição recente de um periódico científico revisado por pares.
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