Os millennials, aqueles nascidos nas décadas de 1980 e 1990, têm expressado cada vez mais desilusão com o estado atual da internet, um contraste gritante com suas experiências anteriores de engajamento online. Essa mudança reflete uma preocupação mais ampla sobre a evolução da internet de um espaço de comunidade e descoberta para um dominado por algoritmos, indignação e interesses comerciais.
De acordo com Max Read, um escritor com foco em tecnologia e cultura, as primeiras experiências na internet envolviam plataformas como FARK e Metafilter, que promoviam a discussão e a agregação de conteúdo diversificado. "Eu ia para sites agregadores de links como o FARK", disse Read em um episódio recente do podcast da Vox, Explain It to Me. "Quando eu era um pouco mais velho, o Metafilter era outro. Havia discussão." Essas plataformas ofereciam um senso de comunidade e exploração que muitos millennials agora acham que falta.
A ascensão das plataformas de mídia social e a crescente sofisticação dos algoritmos orientados por IA alteraram significativamente o cenário online. Esses algoritmos, projetados para maximizar o engajamento, geralmente priorizam conteúdo sensacionalista ou divisivo, contribuindo para um fenômeno descrito como "isca de raiva" ("rage bait"). A Oxford Dictionaries até declarou "rage bait" a palavra do ano de 2025, destacando a prevalência de conteúdo indutor de raiva online.
Essa mudança tem implicações para a sociedade, à medida que a internet molda cada vez mais o discurso público e influencia as percepções individuais. O foco nas métricas de engajamento pode levar a câmaras de eco e ao reforço de preconceitos existentes, potencialmente dificultando o diálogo construtivo e o pensamento crítico. Além disso, o domínio de algumas grandes empresas de tecnologia levanta preocupações sobre privacidade de dados, censura e a concentração de poder.
Embora alguns argumentem que essa desilusão é simplesmente uma consequência do envelhecimento, com usuários mais velhos se tornando mais críticos em relação às tendências em evolução, outros sustentam que a natureza fundamental da internet mudou. A internet primitiva era caracterizada por um senso de abertura e experimentação, enquanto a internet atual é frequentemente percebida como mais controlada e comercializada.
O futuro da internet permanece incerto, mas há um interesse crescente em modelos alternativos que priorizem a privacidade do usuário, a governança da comunidade e o desenvolvimento ético de IA. Essas iniciativas buscam criar espaços online que estejam mais alinhados com os valores da internet primitiva, promovendo uma conexão genuína e um discurso informado.
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