Os esforços da Arábia Saudita para mediar o conflito crescente no Iêmen sofreram um revés na quarta-feira, quando o líder do Conselho de Transição do Sul (CTS), um grupo separatista que busca a independência do sul do Iêmen, se recusou a participar das negociações em Riade, aprofundando a divisão entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, o principal apoiador do CTS. A delegação do CTS, composta por mais de 50 pessoas, alegou que foi detida arbitrariamente ao chegar à capital saudita e levada para um local não revelado, de acordo com um comunicado divulgado pelo conselho.
A suposta detenção da delegação do CTS complica ainda mais as tentativas da Arábia Saudita de recuperar a influência no Iêmen, onde os separatistas apoiados pelos Emirados Árabes Unidos têm disputado o controle da região sul. Autoridades sauditas e o Centro de Comunicação Internacional do governo saudita não responderam aos pedidos de comentários sobre as alegações do CTS ou o paradeiro da delegação.
O conflito no Iêmen tem raízes nas consequências das revoltas da Primavera Árabe, que criaram um vácuo de poder que os rebeldes Houthi exploraram, tomando o controle da capital, Sanaa, em 2014. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, incluindo os Emirados Árabes Unidos, interveio em 2015 para restaurar o governo internacionalmente reconhecido do presidente Abdrabbuh Mansur Hadi. No entanto, a aliança desde então se fragmentou, com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos apoiando facções opostas. O CTS, defendendo a independência do Iêmen do Sul, uma nação que existiu até a unificação com o norte em 1990, tornou-se um ator-chave na luta pelo poder.
O apoio dos Emirados Árabes Unidos ao CTS, apesar de fazer parte da coalizão liderada pela Arábia Saudita, destaca os interesses divergentes dentro da aliança. Embora ambos os países inicialmente pretendessem combater a influência Houthi, os Emirados Árabes Unidos têm se concentrado cada vez mais em garantir seus próprios interesses estratégicos na região, incluindo o controle sobre portos e rotas marítimas importantes. Essa divergência levou a confrontos entre forças apoiadas pela Arábia Saudita e forças apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos no sul do Iêmen, desestabilizando ainda mais o país.
A recusa do líder do CTS em participar das negociações e a suposta detenção da delegação ressaltam a profunda desconfiança e animosidade entre os separatistas e o governo saudita. Os eventos de quarta-feira coincidiram com mudanças na lealdade no terreno em Aden, a capital do sul do Iêmen, onde combatentes anteriormente leais aos separatistas teriam mudado de lado para apoiar o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita. O futuro dos esforços de mediação liderados pela Arábia Saudita permanece incerto, e o aprofundamento do choque entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos ameaça prolongar ainda mais o conflito e exacerbar a crise humanitária no Iêmen, já uma das piores do mundo.
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