No final de 2025, autoridades federais anunciaram possíveis alterações na bula do leucovorina, um medicamento de prescrição normalmente usado durante a quimioterapia do câncer, para incluir o tratamento de crianças com transtorno do espectro autista, mas especialistas pedem cautela. O anúncio, feito pelo comissário da Food and Drug Administration, Dr. Marty Makary, sugeriu que "centenas de milhares de crianças, na minha opinião, serão beneficiadas".
O medicamento, antes relativamente obscuro, teve um aumento na popularidade dentro da comunidade autista, impulsionado por relatos anedóticos e discussões online. No entanto, pesquisadores como o Dr. Paul Offit alertam que o entusiasmo em torno do leucovorina ultrapassou as evidências científicas que sustentam sua eficácia no tratamento do autismo. "A popularidade do medicamento está muito à frente da ciência", afirmou Offit.
O leucovorina é uma forma sintética de folato, uma vitamina B. É usado principalmente para neutralizar os efeitos tóxicos de certos medicamentos quimioterápicos, como o metotrexato. A lógica por trás de seu uso potencial no autismo decorre da teoria de que alguns indivíduos com autismo podem ter dificuldade em processar o folato, levando a problemas neurológicos.
Embora alguns pequenos estudos tenham sugerido uma possível ligação entre a deficiência de folato e os sintomas do autismo, ensaios maiores e mais rigorosos são necessários para confirmar esses achados e determinar se o leucovorina pode fornecer benefícios significativos. A alteração proposta na bula pela FDA gerou debate dentro da comunidade médica, com alguns especialistas expressando preocupação de que isso possa levar ao uso generalizado do medicamento antes que sua segurança e eficácia no tratamento do autismo sejam totalmente estabelecidas.
A decisão da FDA de considerar a expansão da bula do leucovorina reflete um interesse crescente em explorar tratamentos alternativos para o autismo. No entanto, também destaca os desafios de equilibrar esperança e rigor científico na busca por terapias eficazes. O impacto a longo prazo dessa possível alteração na bula ainda não foi visto, mas é provável que gere mais discussão e pesquisa sobre o papel do folato e outros nutrientes no transtorno do espectro autista.
Discussion
Join the conversation
Be the first to comment