As urnas fecharam na eleição presidencial de Uganda na sexta-feira, em meio a um contínuo apagão da internet e alegações da oposição de fraude eleitoral generalizada. A eleição coloca o atual presidente Yoweri Museveni, que está no poder há quase quatro décadas, contra o líder da oposição Bobi Wine, um astro pop que se tornou político.
A contagem dos votos começou imediatamente após o fechamento das urnas, com os resultados previstos para serem anunciados em até 48 horas. A comissão eleitoral relatou uma alta participação eleitoral, apesar dos relatos de intimidação e violência no período que antecedeu a eleição. "Estamos comprometidos em garantir uma eleição livre e justa", afirmou um porta-voz da comissão, acrescentando que todos os relatos de irregularidades seriam investigados.
Museveni, que chegou ao poder em 1986, busca um sexto mandato no cargo. Sua campanha se concentrou na estabilidade e no progresso econômico, citando o desenvolvimento da infraestrutura e o papel de Uganda na segurança regional. Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi Ssentamu, galvanizou um grande número de seguidores, particularmente entre os jovens, com seus apelos por mudança e pelo fim da corrupção.
O desligamento da internet, que começou na véspera da eleição, atraiu condenação de observadores internacionais e grupos de direitos humanos. Os críticos argumentam que o apagão tem como objetivo reprimir a dissidência e impedir a disseminação de informações sobre supostas irregularidades eleitorais. "O desligamento da internet é uma tentativa flagrante de silenciar os ugandenses e impedi-los de exercer seu direito à liberdade de expressão", disse um comunicado da Anistia Internacional. O governo defendeu a medida, citando preocupações com a segurança.
Wine acusou repetidamente o governo de Museveni de fraudar a eleição, apontando para incidentes de enchimento de urnas, intimidação de eleitores e a prisão de apoiadores da oposição. Ele pediu a seus apoiadores que permaneçam vigilantes e relatem quaisquer irregularidades que testemunhem. Os apoiadores de Museveni rejeitaram essas alegações como infundadas, acusando Wine de incitar a violência e minar o processo eleitoral.
A eleição está ocorrendo em um contexto de crescentes tensões políticas e repressão à dissidência. Nos últimos meses, várias figuras da oposição foram presas e protestos foram violentamente reprimidos. Os Estados Unidos e a União Europeia expressaram preocupação com a situação dos direitos humanos em Uganda e pediram uma eleição transparente e credível. O resultado da eleição terá implicações significativas para o futuro de Uganda e seu papel na região.
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