O estudo, publicado em 16 de janeiro de 2026, revelou que o dano ocorreu apenas quando o implante entrou em contato direto com a pomada. Esta descoberta foi confirmada tanto através da análise de casos de pacientes quanto por experimentos laboratoriais controlados conduzidos pela equipe de pesquisa. A descoberta levou a uma reavaliação dos procedimentos padrão de cuidados oculares pós-operatórios para pacientes com glaucoma com esses implantes específicos.
Implantes de glaucoma, também conhecidos como dispositivos de drenagem de glaucoma (DDGs), são implantados cirurgicamente para ajudar a diminuir a pressão intraocular em pacientes com glaucoma, uma condição que danifica o nervo óptico e pode levar à cegueira. Esses dispositivos funcionam criando uma nova via de drenagem para o fluido sair do olho. O cuidado pós-operatório normalmente envolve o uso de pomadas lubrificantes para os olhos para promover a cicatrização e prevenir infecções.
"Nossa pesquisa destaca um risco previamente não reconhecido associado a um tratamento aparentemente benigno e amplamente utilizado", disse o Dr. Hiroshi Tanaka, pesquisador principal do estudo e professor de oftalmologia da Universidade de Nagoya. "Observamos uma clara correlação entre o uso de pomadas à base de petrolato e danos ao implante em vários casos de pacientes, o que foi ainda mais validado por meio de nossos experimentos in-vitro."
Os pesquisadores usaram técnicas avançadas de imagem, incluindo microscopia eletrônica de varredura, para analisar os implantes afetados. Essas análises revelaram que as moléculas de petrolato penetraram na estrutura polimérica do implante, levando ao inchaço e eventual falha estrutural. A extensão do dano variou dependendo da duração e frequência da aplicação da pomada.
As descobertas têm implicações para o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico orientadas por IA em oftalmologia. Algoritmos de IA poderiam ser treinados para analisar imagens pós-operatórias de implantes de glaucoma para detectar sinais precoces de inchaço ou degradação causados pela absorção da pomada. Isso poderia permitir uma intervenção oportuna e evitar a ruptura do implante. Além disso, a IA poderia auxiliar no desenvolvimento de materiais alternativos e biocompatíveis para implantes de glaucoma que sejam resistentes à absorção de petrolato.
Os autores do estudo recomendam que os oftalmologistas considerem cuidadosamente o tipo de lubrificantes oculares pós-operatórios prescritos para pacientes com implantes de glaucoma. Eles sugerem explorar lubrificantes alternativos à base de água que não contenham petrolato. Mais pesquisas estão em andamento para identificar os componentes específicos do petrolato responsáveis pelo efeito de inchaço e para desenvolver estratégias preventivas. A equipe também está trabalhando em um modelo de aprendizado de máquina para prever o risco de danos ao implante com base em fatores específicos do paciente e padrões de uso da pomada.
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