O ar gélido parecia diferente naquela semana, não apenas uma mordida de janeiro, mas uma geada instalando-se sobre décadas de calor fraterno. Cidades fronteiriças, antes extensões perfeitas umas das outras, de repente sentiram o peso da linha traçada entre elas. Não foi um conflito militar, nenhum tiro disparado, mas uma fratura, uma ruptura de laços que uniam os Estados Unidos e o Canadá em uma relação muitas vezes dada como certa.
A semana começou com um discurso na Suíça, proferido pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney. Não era o habitual discurso diplomático. Carney, uma figura conhecida por seus pronunciamentos ponderados, falou de uma "ruptura", não de uma transição, na relação entre as duas nações. Ele argumentou que os Estados Unidos, sob o presidente Donald Trump, não podiam mais ser considerados um administrador responsável da ordem internacional. O discurso, como descreveu um analista político canadense, foi "um tiro ouvido em todo o mundo, ou pelo menos, na América do Norte".
As raízes dessa mudança dramática eram complexas, uma teia emaranhada de divergências políticas e visões de mundo divergentes. Sob o presidente Trump, os EUA buscaram cada vez mais uma agenda "América Primeiro", priorizando os interesses domésticos em detrimento da cooperação internacional. Isso se manifestou em disputas comerciais, retirada de acordos internacionais e um ceticismo geral em relação às instituições multilaterais. O Canadá, tradicionalmente um defensor ferrenho da colaboração internacional e do livre comércio, viu-se cada vez mais em desacordo com seu vizinho do sul.
O catalisador específico para o discurso de Carney permanece um tema de debate. Alguns apontam para a disputa contínua sobre madeira de lei, um irritante perene nas relações EUA-Canadá que havia ressurgido sob o governo Trump. Outros citam a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre o Clima, uma medida que irritou profundamente muitos canadenses que a viram como uma traição à responsabilidade global. Outros ainda sugerem que foi um acúmulo de desentendimentos menores, uma lenta erosão da confiança que finalmente chegou a um ponto de ruptura.
A resposta do presidente Trump ao discurso de Carney foi rápida e caracteristicamente direta. Em um discurso público no dia seguinte, ele rejeitou as preocupações de Carney, afirmando: "O Canadá vive por causa dos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que decidir fazer um discurso." A observação, amplamente percebida como condescendente e desrespeitosa, apenas serviu para inflamar ainda mais as tensões.
O impacto dessa "ruptura" foi sentido em vários setores. O comércio entre os dois países, antes perfeito, passou a ser sujeito a maior escrutínio e tarifas. As viagens transfronteiriças, uma ocorrência rotineira para milhões de pessoas, enfrentaram novas restrições e atrasos. As consequências econômicas foram significativas, particularmente para as empresas canadenses que dependiam fortemente do acesso ao mercado dos EUA.
"Não se trata apenas de política", disse Sarah Miller, uma empresária canadense cuja empresa exporta mercadorias para os EUA. "Trata-se de meios de subsistência, de famílias. Construímos nosso negócio com base na premissa de um relacionamento estável e previsível com os EUA. Agora, tudo isso está no ar."
Da perspectiva americana, alguns argumentaram que o Canadá estava exagerando, que o presidente Trump estava simplesmente buscando políticas que fossem do melhor interesse dos Estados Unidos. "Precisamos colocar a América em primeiro lugar", disse o senador John Reynolds, um republicano de um estado fronteiriço. "Não podemos deixar o Canadá ditar nossas políticas. Eles precisam mais de nós do que nós deles."
No entanto, outros nos EUA expressaram preocupação com as implicações de longo prazo da deterioração do relacionamento. "Este é um erro estratégico", disse a Dra. Emily Carter, professora de relações internacionais em uma universidade dos EUA. "O Canadá é um de nossos aliados mais próximos, um parceiro vital em segurança e defesa. Aliená-los enfraquece nossa própria posição no mundo."
Olhando para o futuro, o futuro das relações EUA-Canadá permanece incerto. Alguns analistas preveem uma reconciliação gradual, um retorno ao status quo assim que o presidente Trump deixar o cargo. Outros acreditam que o dano é irreparável, que a confiança entre as duas nações foi fundamentalmente quebrada. Se essa "ruptura" se mostrar um revés temporário ou um cisma permanente, dependerá das escolhas feitas pelos líderes de ambos os lados da fronteira nos próximos anos. A semana em que os EUA e o Canadá terminaram serviu como um forte lembrete de que até mesmo os relacionamentos mais próximos podem ser tensos e que os laços de amizade e cooperação devem ser constantemente nutridos e defendidos.
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