No noroeste da Síria, um sistema baseado em blockchain, desenvolvido por uma startup afegã, está sendo usado para distribuir ajuda humanitária, oferecendo um vislumbre de inovação inesperada de um país amplamente isolado sob o governo do Talibã. O sistema, conhecido como HesabPay, facilitou uma transferência de dinheiro para Hala Mahmoud Almahmoud, uma agricultora de 46 anos, que recebeu criptomoeda equivalente a 500 USD para ajudar a reconstruir sua fazenda após anos de conflito.
O HesabPay visa transformar a entrega de ajuda em zonas de conflito, aproveitando a tecnologia blockchain para uma distribuição transparente e eficiente. A plataforma permite que organizações de ajuda enviem fundos diretamente aos destinatários por meio de cartões digitais, evitando os sistemas bancários tradicionais e minimizando o risco de corrupção ou desvio. De acordo com a empresa, o uso de blockchain garante que cada transação seja registrada em um livro-razão público, fornecendo um rastreamento de auditoria claro para doadores e destinatários.
Blockchain, a tecnologia que sustenta o HesabPay, é um livro-razão digital descentralizado e distribuído que registra transações em muitos computadores. Isso torna difícil alterar ou adulterar os dados, aumentando a segurança e a transparência. No contexto da ajuda humanitária, o blockchain pode agilizar o processo de entrega de assistência, reduzir as despesas administrativas e melhorar a responsabilização.
O desenvolvimento do HesabPay no Afeganistão é particularmente notável, dados os atuais desafios políticos e econômicos do país. Desde a tomada do poder pelo Talibã, o Afeganistão enfrenta sanções internacionais e uma grave crise econômica. Apesar desses obstáculos, os empreendedores afegãos estão buscando aproveitar a tecnologia para atender às necessidades sociais e econômicas urgentes.
Embora a liderança do Talibã veja a internet com desconfiança, algumas empresas de tecnologia estão encontrando maneiras de operar e inovar dentro das restrições existentes. O sucesso do HesabPay na Síria demonstra o potencial da tecnologia afegã para causar um impacto global, mesmo enquanto o país enfrenta desafios internos.
O uso de criptomoeda na ajuda humanitária não está isento de desafios. Os destinatários precisam de acesso à infraestrutura, como casas de câmbio ou dispositivos móveis, para converter a moeda digital em dinheiro utilizável. Além disso, as flutuações nos valores das criptomoedas podem afetar o valor real da ajuda recebida. No entanto, os defensores argumentam que os benefícios da transparência e da eficiência superam esses riscos.
O HesabPay está atualmente trabalhando para expandir suas operações para outras regiões afetadas por conflitos, em parceria com organizações internacionais de ajuda para fornecer assistência a populações vulneráveis. A empresa espera demonstrar que a tecnologia blockchain pode desempenhar um papel crucial na melhoria da eficácia e da responsabilização dos esforços de ajuda humanitária em todo o mundo.
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