Um novo relatório do Congressional Budget Office (CBO) revelou uma mudança significativa na distribuição de renda nos Estados Unidos entre 1979 e 2022, indicando um declínio na situação econômica da classe média. Os dados mostraram um aumento acentuado na parcela da renda nacional detida pelas famílias mais ricas, enquanto os três quintis de renda do meio experimentaram uma redução em sua parcela, mesmo após contabilizar as transferências e impostos governamentais.
De acordo com o relatório do CBO, o 1% mais rico das famílias nos EUA viu sua parcela de renda antes de transferências e impostos dobrar de 9% em 1979 para 18% em 2022. Simultaneamente, a parcela da renda destinada ao quintil mais baixo diminuiu de 5% para 4%, sugerindo que a compressão econômica afetou principalmente a classe média. Essa tendência reflete uma preocupação global mais ampla sobre o aumento da desigualdade de renda, observada em graus variados em países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Economistas apontaram vários fatores que contribuem para essa mudança, incluindo avanços tecnológicos, globalização e mudanças nas políticas tributárias. A ascensão da automação, por exemplo, deslocou muitos empregos de média qualificação, enquanto o aumento da competição global exerceu pressão para baixo sobre os salários de alguns setores. Tendências semelhantes foram observadas em outras economias avançadas, como as da Europa e do Leste Asiático, embora os impulsionadores específicos e as respostas políticas variem de país para país.
O esvaziamento da classe média tem implicações significativas para a coesão social e a estabilidade política. Estudos de organizações como a OCDE mostraram que uma maior desigualdade de renda pode levar à redução da mobilidade social, ao aumento das taxas de criminalidade e à diminuição da confiança nas instituições governamentais. Em muitos países, isso alimentou a polarização política e os movimentos populistas, à medida que os cidadãos se sentem cada vez mais marginalizados pelo sistema econômico.
Embora o relatório do CBO se concentre especificamente nos Estados Unidos, as conclusões ressoam com debates globais mais amplos sobre o futuro do trabalho, o papel do governo no combate à desigualdade e a necessidade de políticas que promovam o crescimento inclusivo. Governos em todo o mundo estão experimentando várias abordagens, incluindo investimentos em educação e treinamento profissional, reformas nos sistemas tributários e de bem-estar social e regulamentações destinadas a conter o poder corporativo e promover a concorrência justa. As consequências de longo prazo dessas tendências e a eficácia de diferentes intervenções políticas permanecem sujeitas a pesquisas e debates contínuos.
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